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Foto: Divulgação

Soja e algodão lideram o avanço na produção, reafirmando o Oeste baiano como grande celeiro do agro-negócio

 

Mesmo com a seca, considerada a pior da história do Estado da Bahia, a safra de grãos no Estado no ano passado bateu recorde, alcançando 8,08 milhões de toneladas, um crescimento 52,7% superior ao do ano anterior. A maior parte da produção, contudo, ficou restrita aos municípios da Região Oeste, onde culturas como a soja, café e algodão alcançaram níveis de produtividade bem elevados.

Os dados foram apresentados pela Secretaria Estadual da Agricultura e Irrigação (Seagri) no final do ano, e revelaram também que a Bahia é o  maior produtor de grãos da Região Nordeste. Na safra de 2014/2015, a Bahia produziu 7.409 milhões de toneladas, número que caiu para 5.938 milhões de toneladas na safra 2015/2016.

Na avaliação da Seagri, o crescimento da safra de grãos no ano passado faz com que o Estado retomasse a trajetória ascendente na produção agrícola, processo esse que foi interrompida na safra passada, quando o Estado sofreu as consequências do período de seca, reflexo do fenômeno climático El Nino, com significativas perdas nas produtividades das lavouras. Com a produção de grãos, a Bahia foi responsável por 44,7% de toda a produção de grãos da Região Nordeste.

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A Seagri informou também que a Bahia passa a ser o quarto maior produtor de café do Brasil,tendo produzido no ano passado, cerca de 3,4 milhões de sacas, com um aumento de 60,4% acima do que foi  produzido em 2016. A boa performance na produção de café, segundo a Seagri, deveu-se ao desempenho do café  tipo conilon, cultivado principalmente  no Extremo Sul do Estado, cuja produção aumentou 188,1% em relação  ao ano passado. Por outro lado, o café arábica, produzido no planalto da região de Vitória da Conquista, na Chapada Diamantina ,e no Oeste, apresentou uma redução na produção, este ano, da ordem de 22,8%, em relação a 2016.

Culturas

Dentre as principais culturas que compõem a safra de grãos, o maior destaque na safra do ano passado ficou para a produção de soja, hoje o principal produto agrícola do Oeste Baiano, e que no ano passado continuou  expandindo a área de plantio e produtividade na colheita, alcançando 1,58 milhão de hectares. A produção de soja, em 2017, atingiu novo recorde, alcançando 5,12 milhões de toneladas (59,5% a mais do que no ano anterior).

Segundo a  Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em virtude dos bons resultados da safra passada e a estabilidade desta commodities, a área de soja deve ter um incremento de 3,9% na próxima safra, chegando a 1,64 milhão de hectares.

Algodão

A safra de algodão na Bahia, é marcada por incremento de produtividade e por alta da produção, passando de 618,3 mil toneladas em 2016 para  865,5 mil toneladas na safra 2017, representando crescimento da ordem de 40%. Os números reafirmam a Bahia como segundo maior produtor de algodão do país, ficando atrás apenas do Estado de Mato Grosso. Com a boa performance, a fibra baiana consolida a conquista de mercados e marca presença forte em âmbito interno e externo.

Para a próxima safra, a Conab estima que “devido aos bons resultados na comercialização da safra que findou e ao otimismo gerado no ambiente da cotonicultura”, a área plantada com algodão deverá ser ampliada, podendo crescer em até 34,8%, alcançando, desse modo, 271,8 mil hectares.

Milho

O cultivo de milho na Bahia ocorre em quase todo o estado, com destaque para o oeste baiano onde a produtividade é sempre superior à média nacional. Os expressivos índices produtivos registrados na região, que aumentaram mais de 50% durante a década, são explicados pelo alto nível tecnológico empregado. Além do Oeste, o pólo de Adustina/ Paripiranga e alguns municípios do Litoral Norte como Inhambupe, Crisópolis, Rio Real e Entre Rios vêm despontando com grande potencial para o cereal. A safra estadual de milho em 2017 alcançou uma produção de 1,98 milhão de toneladas, significando um aumento de 37% em relação à safra passada. Estimativas da Conab apontam para uma pequena redução, da ordem de 0,9%, na área cultivada com milho no próximo ano, perdendo espaço para as lavouras de soja e de algodão.

Feijão

A colheita baiana de feijão de 300,5 mil toneladas, obtidas este ano, superior em 118,5% em relação à safra 2016, faz com que a Bahia figure no rol dos mais importantes produtores nacionais do grão. Para a próxima safra,  a Conab estima uma redução de 4,5% na área a ser cultivada com feijão no estado.

Sorgo

A área ocupada com sorgo na Bahia, estimada em 98,5 mil hectares na safra 2017, possibilitou uma produção de 105,2 mil toneladas, representando um incremento no volume produzido da ordem de 18,3%. Para a próxima safra, segundo estimativas da Conab, a área cultivada com sorgo deverá se expandir em 3,2%.

Trigo

Produzido nos Cerrados do  Oeste do Estado, através cultivo irrigado com pivô central, o trigo vem se tornando mais uma alternativa de produção para a região, por apresentar condições climáticas que favorecem a qualidade dos grãos e a produtividade das lavouras. A produção obtida em 2017, da ordem de 30 mil toneladas significou um acréscimo de 66,7% em relação a 2016. Segundo a Conab, a área plantada este ano, 5 mil hectares, deve ser mantida para a próxima safra.

Mamona

O cultivo da mamona é realizado pela agricultura familiar, sendo conduzido em regime de sequeiro, com baixa mecanização agrícola. A safra baiana de mamona, em 2017, alcançou 12,7 mil toneladas, aumentando 22,1% em relação à safra anterior. A Bahia foi responsável por 82,5% da produção brasileira. O cultivo da mamona, em forte declínio desde 2005, quando foram produzidas 170 mil toneladas, poderá, segundo a Conab, ter sua área cultivada ampliada em 20,9%, em 2018, chegando a 21,1 mil hectares.                                         Informações Trbn